Durante os anos 50 e 60, o designer Dieter Rams desenvolveu vários projetos para a Braun. Hoje a empresa é mais conhecida pelos produtos de cozinha e beleza, mas já foi famosa por seus aparelhos de som, uma das áreas em que Rams mais atuou.
Antes de seguir para as imagens (e entender sobre o que esse post trata) vale lembrar os 10 princípios de Dieter Rams. Segundo ele o bom design:
- é inovador.
- torna o produto útil.
- é estético.
- ajuda a entender um produto.
- é discreto.
- é honesto.
- é durável.
- é resultado de cada detalhe.
- é preocupado com o meio ambiente.
- é tão pouco design quanto possível.
Dizem que tanto Jonathan Ive quanto Steve Jobs são fãs do trabalho de Rams e do design alemão da época. A prática do “quanto menos, melhor” é bastante aplicada nos produtos da Apple, mas qual seria o limite entre a inspiração e o plágio? Bem… Veja você e decida. Abaixo está o Braun T3, rádio de bolso desenvolvido por Rams em 1953 e que é parte do acervo permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Com dimensões de 8,3 x 15,2 x 4,1cm, pode ser grande para alguns bolsos, mas se parece com um produto um pouco menor da Apple que já vendeu mais de 100 milhões de unidades.
O Braun L60 era uma vitrola. - Hein? - digo, aparelho de som.
Suas caixas lembram um pouco o iPod Hi-Fi, que foi produzido pela Apple entre fevereiro de 2006 e setembro de 2007.
Outra caixa de som, o LE1, também faz parte do acervo do Moma.
Talvez dizer que lembra o iMac G5 (esquerda) seja exagero… Mas o que dizer do contorno em metal do novo iMac?
O rádio T1000, possui características semelhantes ao PowerMac G5 e o Mac Pro. Detalhes como o material, a superfície perfurada e cantos arredondados também são encontrados na linha profissional de notebooks da Apple.
E para fechar, a calculadora do iPhone e a Braun ET66 lado a lado:
De todos os cinco, acho que este último é único caso grave, além de ser o mais óbvio. São produtos com a mesma função e chegam ao ponto de ter os mesmos formatos e cores nos botões. Com tanta inspiração no trabalho de Rams, há quem diga que a calculadora do iPhone tenha sido uma homenagem (uma palavra bonita para plágio).
E o que ele acha disso? Em janeiro de 2004, após o lançamento do PowerMac G5 (na época, dos 5 itens acima apenas o iPod já havia sido lançado), Rams deu uma entrevista à revista Icon. Seguem os trechos (porcamente traduzidos) que ele fala sobre a Apple:
Ao chão está o seu rádio T1000, de 1963 e criado após um diretor da Braun dizer que queria algo que pudesse levar em seu iate. “Ele tem um visual muito contemporâneo. Claro que hoje é possível fazê-lo muito menor”, diz ele. Com seu case de alúmínio, superfície perfurada e cantos arredondados lembra muito o novo G5 da Apple. “É, é… sem dúvida”, diz Rams quando eu toco no assunto. “Uma revista alemã disse, olha, Rams fez isso anos atrás, mas isto é normal”.
….
“Na Braun, eles sempre estavam dispostos a correr riscos - ninguém saberia dizer se um produto faria sucesso. Nós como designers não podíamos criar do nada. As pessoas que comandavam a empresa teriam que querer o produto. O que falta hoje é que esse tipo de empreendedor não existe mais. Hoje só existe a Apple e um pouco atrás dela vem a Sony, mas não no mesmo grau que havia na Olivetti e na Braun, ou com Peter Behrens na AEG, ou Herman Miller e Charles Eames, Florence Knoll com Eero Saarinen e por aí em diante. Estes tipos de conexões estão em falta hoje em dia.”
No final das contas parece que Rans fica contente por ver seus conceitos aplicados até hoje. E é bom se inspirar em bons designers. Não dá para reinventar a roda, mas pode-se criar o clickwheel.
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